sábado, junho 24, 2017

Pater requiescant in pace

    Elisée Jean-Marie William Turpin 
   (23/05/1930, Bissau - 24/06/2017, Bissau)

Outrora jovem e garboso gentil-homem guineense, orgulhoso dos valores e mores que a rígida educação recebida lhe transmitiu mas, dono de um espírito e mente abertos à modernidade que se avizinhava  numa África pós-guerra mundial '39-'45 rumo aos movimentos independentistas e às independências nos anos '50-'60, revoltado com o tratamento injusto dado ao seu avô materno, António dos Santos Teixeira, por alegadamente se ter recusado a contribuir financeiramente para as "campanhas de pacificação" de João Teixeira Pinto (1910-1915), consequente prisão e expropriação de alguns bens/património, desde cedo lhe seguiu as pisadas e a motivação independentista. Este sentimento levou-o a pugnar por dois objectivos primordiais para ele, a saber: garantir a sua independência económica e financeira, ingressando ainda teenager, nos CTT primeiro, depois na SCOA, na Casa Gouveia e finalmente na ANCAR; e participar da libertação do "jugo colonial" no seu "país" junto com outros colegas da sua geração. Conseguiu o primeiro objectivo ainda jovem, antes dos 30 anos e contribuiu com sacrifício, trabalho e perseverança para a obtenção do segundo.
Hoje, octagenário, longe dos anos doirados e sofridos de antanho, com a saúde debilitada o velho guerreiro de tantas lutas, no sindicato, na Associação Comercial, na fábrica de coconote no ilhéu do Rei, no PAIGC, no País enfim, soçobrou enquanto dormia, de madrugada, a Morte ceifou-lhe a Vida.
Nunca desistiu dos seus ideais, amou o seu país e o seu povo, suas gentes, manteve-se sempre ao lado dos mais desfavorecidos, tal como seu pai lhe ensinara dando o exemplo, igual a si próprio, respondendo quando o chamavam: "Elisée Jean-Marie!" - " O único!".
Fica a saudade, a memória e pena do pouco tempo passado com ele mas, fica também o exemplo e a certeza do orgulho de com ele ter privado, aprendido e convivido e através dele ver uma Guiné que sem a sua orientação e esclarecimentos seria pouco apelativa para mim que a não compreendia.
RIP  

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Gastronomia da Guinea Bissau - CPLP Guiné Bissau

Pelo estômago... também se conquista... e é sempre um prazer rever o primo "Lua" a promover a gastronomia local.

Guinea Bissau, praia de Varela

Recursos Naturais...Bissau-guineenses


Paulo Flores - Isso é que é Economia

Em Luanda, como em Bissau... "isso é que é ECONOMIA", diz o "miúdo Maravilha", como o epitetava o saudoso Jorge Perestrelo.


Guiné-Bissau, as paisagens (terceira parte)

Estes vídeos são da autoria da Asequagui - Associação dos Estudantes e Quadros Guineenses em Itália.

Guiné Bissau, as paisagens (segunda parte)

Guiné-Bissau, as paisagens (primeira parte)

domingo, setembro 11, 2016

sábado, fevereiro 14, 2015

Um retrato Bissau-Guineense

Navegando "à bolina" na internet dei por mim no YouTube visualizando esta vídeo-viagem pela Guiné-Bissau, de onde sou natural. Aqui fica a partilha, por entender interessante o retrato feito em 2013 pelo autor.

Foram para mim 25 minutos de introspecção, viajando por espaços onde estive uns, outros onde gostaria de ter estado e alguns que me penou ver o estado em que se encontram/ encontravam ao tempo da gravação do documento. Mas tudo isto forma a idiossincrasia especial de um cantinho muito sui géneris da África ocidental sub-Sahariana a que me orgulho de pertencer e onde o meu "bico está enterrado" 

quarta-feira, junho 18, 2014

O Engenho e a Arte

" E também as memórias gloriosas
daqueles reis que foram dilatando
a Fé, o Império, e as terras viciosas
de África e de Ásia andaram devastando,
e aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da morte libertando,
cantando espalharei por toda a parte
se a tanto me ajudar o engenho e a arte."

Permito-me citar do Canto I a estância 2, desse Poema Épico do Poeta-mor Luso, Luís Vaz de Camões, "Os Lusíadas", para através dele homenagear a obra em curso por parte da minha sobrinha-amiga-companheira de lutas estudantis, mas acima de tudo uma "valerosa" mulher bissau-guineense, Dra. Carmelita Pires.

No sec. XVI já Luís Vaz apodava de "terras viciosas" o território ainda mal conhecido, onde hoje a nossa "Ita" procura ajudar as crianças de uma zona desfavorecida materialmente, mas de grande riqueza e potencial humano a terem um futuro mais promissor, investindo na sua educação, passando à prática o estafado slogan de Cabral "as crianças são as flores da revolução...", que mal tratado tem sido o jardim e as suas flores...

Mulher de acção, em vez de lamentar o que o Estado não fez/faz, a Ita lançou-se na concretização da "sua" escola, rudimentar q.b. mas com o essencial para permitir aos 154 alunos um ano lectivo sem interrupções e de aprendizagem de qualidade.

Poderão pensar que é uma gota no oceano, mas é mais uma gota e é o conjunto das gotas da chuva que faz os mananciais que originam dilúvios... 

Aqui fica a minha homenagem, singela, suspeita é certo, mas manifestei acima o eventual "conflito de interesses" que poderia toldar a justiça destas minhas palavras em relação à obra de alguém que me é caro, e que "por obras valerosas se vai da lei da morte libertando" e que sem engenho nem arte espalho, via net, por toda a parte.

sexta-feira, abril 26, 2013

Desconforto

Enquanto "guineense na diáspora", modéstia à parte, os meus 48 anos de ausência somados aos 4 anos de permanência no solo pátrio devem garantir-me este epíteto... tenho por vezes uma visão distorcida dos eventos qe pontuam a actualidade Bissau-guineense. E é com "estes olhos uns que vejo no mundo escolhos onde outros, com outros olhos, não vêem escolhos nenhuns" (António Aleixo)
Cito o poeta Aleixo, não para dar um toque de erudição popular mas, sim, para me socorrer das suas palavras para ilustrar as minhas ideias.

Têm os mass-media internacionais dado grande relevo à captura e expatriamento do contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto para os USA, acusado de associação criminosa para prática de narcotráfico, tráfico de armas para organização terrorista, etc.; e também à acusação do  Presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo, do Primeiro-Ministro Dr. Rui de Barros e do CEMFGA general António Indjai e alguns membros do executivo de transição de malfeitorias  quejandas enquanto cúmplices do primeiro acima citado.

Como seria de esperar todos negam o seu envolvimento em actividades ilícitas,  alegam inocência e apressam-se a solicitar provas do seu envolvimento nas acções de que são acusados e sustento destas por parte da justiça Norte americana et al..

Erro crasso, em meu entendimento, se acusado injustamente o primeiro passo deveria ser comprovar  a proveniência de cada cêntimo do erário pessoal, demonstrando assim que o ganhara de forma lícita; depois constituir um representante legal a fim de na Justiça defender urbi et orbi a sua inocência; e finalmente intentar uma acção judicial por difamação contra os acusadores. Mas este tipo  de comportamento só funciona se a  consciência estiver tranquila...

Ora bem é aqui que "a porca torce o rabo", na distribuição de atribuições entre os diferentes "players" deste imbróglio governativo, político, económico, financeiro e social em que a República da Guiné-Bissau se encontra. Dois governos, forças armadas desavindas e descoordenadas, políticos dissonantes e discordantes que discutem questões pessoais que se sobrepõem à discussão de ideias e programas; partidos residuais minoritários que se catapultaram para o governo, sem suporte eleitoral mas "cavalgando" o golpe de estado e dando-lhe "cobertura" política; bloqueio internacional ao governo de transição imposto pela CEDEAO -estrutura regional da UA- e não reconhecido pela maioria da comunidade internacional, UA incluída,  por ser apoiado/liderado/"de iniciativa" pelos/dos putchistas de 12 de Abril de 2012, ubiquidade por esclarecer.

A missão do Governo é exercer o poder EXECUTIVO, fazer e implementar a Lei do Orçamento de Estado, promover a feitura de Leis, em suma governar o país,  as Forças armadas, subjugadas ao poder politico,  os tribunais, órgãos de soberania e as Polícias com o  poder JUDICIAL; e ser supervisionado pelo Parlamento e Presidência da República através do poder LEGISLATIVO. Grosso-modo, num estado de direito semi-presidencialista, com algumas nuances é mais ou menos assim que as coisas se processam.

Nas condições em que o Estado se encontra neste momento, não consegue cumprir cabalmente nenhum dos pressupostos que seria suposto cumprir enquanto tal e a passos largos dirige-se para a a inevitabilidade de passar de ESTADO FALIDO a  ESTADO FALHADO... passando pelo desconforto de ser considerado entrementes NARCOESTADO/ESTADO TERRORISTA, epíteto que não ajuda nada um estado que depende quase exclusivamente da ajuda externa para suprir as necessidades mais básicas e elementares dos seus cidadãos.

A adir à situação do país há a considerar o elevado número de cidadãos guineenses a braços com a justiça, em áfrica, na europa e américas devido ao tráfico de estupefacientes o que, aos poucos, acarreta o estigma de narcotraficante "colado" à nacionalidade/naturalidade do indivíduo, mesmo antes de aferida a sua culpabilidade e apesar da suposta e propalada presunção de inocência.

O tempo,energia e vidas desperdiçados em questões de lana caprina que em nada beneficiam o país, pelo contrário bastante prejudicam a sua imagem e o seu funcionamento enquanto estado, poderiam/deveriam ser aproveitados em fomentar a situação tida como ideal pelos que tomaram o poder e a responsabilidade de governar o país em Abril de 2012 rumo a uma "transição", ainda muito mal explicada, uma vez que não seria expectável que os que foram depostos/rechaçados do poder pelo "putch" de Abril colaborassem na persecução de objectivos que não eram/são os seus.

A posição da dita Comunidade Internacional também não é muito confortável pois desde o apoio implícito inicial da China, França e USA ao putch e ao governo de transição dele resultante, até à actual situação de guerra aberta à liderança militar bissau-guineense por, alegadamente, atentar contra interesses e vidas norte americanas via narcoterrorismo, demonstram claramente a instabilidade dos apoios externos à República da Guiné-Bissau e ao seu desenvolvimento enquanto estado-nação por parte daqueles estados, mais virados para a sua política interna e interesses geo-estratégicos de momento. Por outro lado a CEDEAO também não fica bem na fotografia pois da contradição inicial de criticar o golpe de estado e a interrupção do processo eleitoral para a presidência da república ao pactuar de seguida com os putchistas e nomear um governo de transição de sua iniciativa com o beneplácito dos militares revoltosos, não contribuiu para uma pacificação da situação que se manteve/mantém numa "guerra fria"  intestina latente  e se consubstanciou objectivamente num não reconhecimento das autoridades por si nomeadas pela maioria da Comunidade Internacional e um bloqueio económico-financeiro com reflexos sociais no país.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Censos 2011 - Portugal



Envelhecendo paulatinamente...

                                              

Consulte os dados na página interactiva no site do INE.

terça-feira, maio 29, 2012

Post Keynesiano pela RGB

Hoje a minha veia proeminente é a política, como tal vou "politicar"...
"Segundo John Neville Keynes, a ciência pode ser dividida em ciência positiva que consiste no corpo de saber sistematizado que diz respeito ao que é, em ciência normativa, isto é, o corpo de saber sistematizado que discute os critérios do que deveria ser e em arte, que se deve entender como um sistema de regras para a obtenção de um dado fim. Assim, é económico tal aspecto da conduta humana, individual ou colectiva, segundo o qual, na presença de uma escolha entre meios limitados, se procura o melhor resultado possível, o que supõe a definição em cada situação das noções de custo, de risco ou de valor das finalidades. É também económico tal aspecto de uma organização das relações de produção e de distribuição do produto no seio de uma sociedade que tende para a satisfação de um certo ideal, o que supõe a definição em cada caso das noções de bem comum, de progresso ou de custo humano." PhD. Eng.º P. Damião Henriques escreveu estas sábias palavras que aqui reproduzo e retratam tudo aquilo que não está a acontecer na RGB neste momento, e é pena que assim seja, pois este raciocínio simples encerra em si as mais elementares regras de convivência urbana e cívica conducentes ao bem-estar comum, qualquer que seja o ideário ou a doutrina prevalecente.
Sinceramente nem critico os militares do "Comando militar", afinal agiram do único modo que conhecem... ao entenderem em risco o que quer que fosse... nem tampouco critico os políticos cujas propostas não mereceram nunca o apoio e confiança dos seus concidadãos a ponto de lhes granjear representação na Casa da Democracia aquando dos pleitos eleitorais, afinal a ocasião...  a culpa não é de ninguém e é de todos... de uns por agirem de boa fé, de outros por, agindo de má-fé, desconfiarem que os que agiam de boa-fé, estavam agindo de má-fé... logo a culpa é da fé. Economicamente falando podíamos considerar a fé como o custo de oportunidade da classe política...
Politiquei... :(

quinta-feira, maio 24, 2012

As armas e os barões

Assim se inicia o poema épico de Luís Vaz de Camões, curiosamente parece ser assim que termina a República da Guiné-Bissau... sendo as armas e os barões outros que não os Camonianos...
De proto-Estado respeitado a estado em estado-de-sitio bastaram 37 anos de desmandos e fartar vilanagem por parte de alguns para desgraça de todos os outros.
De uma luta de libertação nacional exemplar que a todos inspirou respeito e consideração a uma pleiade de golpes-de-estado-tiro-no-pé que inexoravelmente nos garantiram lugar cativo entre os "damnés de la terre".
De um estado nação a um estado de nações, perdidos os valores de antanho que nos mantinham unidos e focados nos objectivos de uma pátria, uma só nação, um futuro melhor... as crianças são as flores da revolução, etc. e tal... hoje rouba-se o futuro às crianças e à nação em prol de interesses escusos, mesquinhos e egocêntricos.
Lembra-me o "poema negro": "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!". Infelizmente o caminho rejeitado é o do progresso, da prosperidade, do respeito pelo outro, da cidadania, do urbanismo e do civismo.
Depois há os outros, como eu, que de fora nos vamos insurgindo, treinadores de bancada/sofá, mas que podemos julgar com base nos slow motions dos replays televisivos e como críticos da obra feita temos sempre razão... ou razões...ainda que contraditórias, de acordo com a "cor" dos "óculos" que usamos... no interim os locais continuam sobrevivendo, lutando, aguentando estoicamente a estroinice de alguns que têm o poder de poder fazer pois detêm as armas e não hesitam em usá-las e de outros que, livres da pressão de ter de viver sob pressão, vão dando "bitaites" mais ou menos educados sobre como devia ser o que não é.
Hoje o meu pai perfaz 82 anos, lutou pela independência do seu país, como muitos outros da sua geração, sofreu as agruras da prisão política, idealizou com Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Luís Cabral e Júlio Almeida, naquela casa no bairro da Tchada, em Bissau, a 19 de Setembro de  1956, uma Guiné onde coubessemos todos em harmonia. Viu o desaparecimento físico de uma boa parte dos seus "camaradas"; viu o desmoronar do sonho de uma Guiné independente e próspera; assiste aos eventos bélicos da actualidade que coartam o desenvolvimento sustentável do país; assiste ao descalabro social e moral do país. Assiste ao desmoronar da utopia que o levou a insurgir-se contra o poder colonial. Hoje, não deve estar orgulhoso com o rumo que a Guiné-Bissau independente leva. Mas de certeza que não perdeu a esperança de assistir ao surgimento de uma Guiné melhor, tal como a idealizaram nos idos de 1956... sem armas nem barões...

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Televisão da Guiné-Bissau... online

Uma grata surpresa encontrar o site da TV-RGB online e operacional, com um visual simpático e funcional. Parabéns pela iniciativa a quem de direito... mas, se fizessem revisão dos textos publicados seria a cereja no topo do bolo!...
http://www.televisao-gb.net/

segunda-feira, dezembro 26, 2011

O País adiado

Era uma vez um território pequeno, com baixa densidade populacional, situado na costa Oeste africana, cuja capital se encontra nas coordenadas 11°52′N 15°36′W.

Com uma área de 36 126 km², o território estende-se por uma área de baixa altitude. O seu ponto mais elevado está 300 metros acima do nível do mar. O interior é formado por savanas e o litoral por uma planície pantanosa. O período chuvoso alterna com um período de seca, com ventos quentes vindos do deserto do Sahara. O arquipélago dos Bijagós situa-se a pouca distância da costa.

 Situada aproximadamente a meia distância entre o Equador e o Trópico de Câncer, o território tem clima tropical, caracteristicamente quente e húmido. Há duas estações distintas: a estação das chuvas e a estação seca. O território insular, composto por mais de 80 ilhas, exibe algumas das melhores praias da África Ocidental.


A estação das chuvas estende-se de meados de Maio até meados de Novembro, com maior pluviosidade em Julho e Agosto. A estação seca corresponde aos restantes meses do ano. Os meses de Dezembro e Janeiro são os mais frescos. No entanto, as temperaturas são muito elevadas durante todo o ano.

A população do território é constituída por mais de 20 etnias, com línguas, estruturas sociais e costumes distintos. A maioria da população vive da agricultura e professa religiões tradicionais locais. Cerca de 45% dos habitantes praticam o islamismo. As línguas mais faladas são o fula e o mandinga, entre as populações concentradas no Norte e no Nordeste. Outros grupos étnicos importantes são os balantas e os pepel, na costa meridional, e os manjacos e os mancanhas, nas regiões costeiras do Centro e do Norte. O crioulo é a língua veicular  interétnica.

Em Paris no dia 12 de Maio de 1886 foram estabelecidas as suas fronteiras num acordo assinado entre as potências coloniais, imperiais à época, que controlavam os territórios da zona e foi baptizado de Guiné, Guiné Portuguesa para se diferenciar de outro território mais a Sul designado Guiné Francesa.

Como já devem ter inferido falo da actual República da Guiné-Bissau. Com pesar, pois após uma luta de libertação do jugo colonial Português a muitos níveis exemplar, a obtenção da condição de país independente não confirmou, até hoje, os bons auspícios dos idos de '70 do século passado e das esperanças e investimentos que a comunidade internacional, Portugal incluído, nela depositaram.

Consultando os dados disponíveis que reportam os níveis de Desenvolvimento e Felicidade dos países apercebemo-nos pesarosamente que ocupa os últimos lugares da lista; no tocante ao desenvolvimento económico temos mais uma desilusão; na saúde e educação idem aspas; só ocupa lugares cimeiros em parâmetros indesejáveis,e.g.,  a Corrupção, o Narcotráfico e a Instabilidade Política.

É incrível como  no Natal, mesmo num país laico e multi-étnico, pode ocorrer uma situação de instabilidade militar, sabendo-se que o país depende maioritariamente da ajuda económica externa para complementar o seu orçamento geral de estado e que esse comportamento influencia inexoravelmente a ajuda externa e o desenvolvimento do país a todos os níveis.

Bem, por isto e outras coisas que não vou agora abordar, é um país adiado em vez de um país de nações, a exemplo da Espanha, que devia e poderia ser sem os desvios à normal evolução de um país independente, sério e justo onde imperem as boas práticas de governação e a subordinação das forças militares ao poder político.















sábado, janeiro 01, 2011

A Troponina


Após passar a noite de Ano Novo na Urgência Central do HSM, acompanhando a minha mulher que apresentava um quadro de mal-estar cardíaco, consubstanciado numa alteração do valor da Troponina entendi por bem adir aqui um trabalho da Dra. Elisabete Almeida que explica de forma sucinta, mas muito clara o que estava a passar a minha "Leôncia".
Um paper da Dra. Carla Sofia Martins, Serviço de Medicina Interna - HSJ - Porto, elucida-nos sobre a fisiopatologia do processo. Dadas as suas dimensões não cabe neste post mas pode cer acedido via link no nome da autora, em formato .pdf.

"Cardiologia
Troponinas cardíacas
Data: 28/10/2004
O que são as troponinas cardíacas?
As troponinas são componentes protéicos que fazem parte da musculatura estriada cardíaca e que existem em três tipos, a troponina C, a troponina T e a troponina I ligadas entre si e a tropomiosina. A troponina C possui a mesma estrutura no músculo esquelético e no músculo cardíaco. Mas as troponinas cardíacas como a troponina (cTnT) e a troponina I (cTnI) são produtos de diferentes genes em comparação as troponinas T e I da musculatura esquelética. Ambas as troponinas cTnT e cTnI podem ser medidas por radioimunoensaio que usam técnicas similares e os mesmos instrumentos laboratoriais para testes mais familiares como o hormônio estimulante da tireóide (TSH). Isto significa que o laboratório pode realizar as medidas de forma conveniente, rápida e de forma ininterrupta (24 horas por dia nos 7 dias da semana).
Os níveis de cTnT e cTnI são indetectáveis no sangue pelos métodos disponíveis na atualidade de forma que os valores normais de cTnT e cTnI são efetivamente zero. Após o infarto do miocárdio. Após o infarto do miocárdio ocorre necrose do tecido miocárdio e a liberação na circulação de componentes intracelulares, incluindo conhecidas enzimas como creatino-kinase (CK), suas isoenzimas (CK-MB) bem como as troponinas cTnT e cTnI, as quais podem ser detectadas no mesmo espaço de tempo que as CK e CK-MB. Todos os casos de infarto de miocárdio apresentam níveis detectáveis de cTnT e cTnI cerca de 12 horas após o evento ou mesmo mais precocemente. As enzimas também servem para indicar a resposta a uma variedade de tratamentos usados como heparinas de baixo peso molecular, antagonistas da glicoproteína IIb/IIa e revascularização.
Por que as troponinas são importantes no IAM?
As troponinas cardíacas apresentam uma série de características específicas:
  • São liberadas apenas após necrose miocárdica isquêmica (1).
    A CK e a CK-MB ocorrem tanto no músculo esquelético como na musculatura cardíaca. Logo, uma lesão da musculatura esquelética causa elevações da CK e CK-MB tornando o diagnóstico da IAM difícil. Por exemplo, a dor torácica após uma maratona com níveis elevados de CK e CK-MB torna esta dosagem sem utilidade, pois ambas estão elevadas devido ao trauma muscular. Por outro lado, níveis de cTnT e/ou cTnI não aumentam a não ser no caso de ocorrência real de infarto do miocárdio.
  • As enzimas ficam elevadas por um considerável período de tempo.
    Ao contrário da CK e CK-MB , as enzimas cTnT and cTnI podem ser detectadas por até 5 dias (cTnI) ou mesmo 7 a 10 dias (cTnT) após o infarto do miocárdio. Logo, o infarto pode ser detectado mesmo tardiamente. Um paciente que seja atendido com história de precordialgia 3 a 5 dias atrás, a dosagem da cTnT e/ou cTnI pode permitir o diagnóstico ou exclusão da IAM. Mas todo paciente com dor torácica dentro das primeiras 12 horas sugestiva de IAM necessita de avaliação hospitalar rápida.
  • O método é bastante sensível.
    A CK e CK-MB são liberadas pela musculatura esquelética em baixos níveis de forma permanente havendo por isto sempre algum nível detectável. Isto não ocorre com as proteínas estruturais do miocárdio como as cTnT e cTnI. Logo elas são altamente sensíveis e específicas. Cerca de 1/3 dos pacientes com quadro clínico de Síndrome Coronariana Aguda, sem elevações no segmento ST ao ECG, que antigamente recebiam diagnóstico de angina instável, pois o diagnóstico de IAM pode ser excluído através das dosagens de CK e CK-MB apresentam níveis elevados de cTnT e cTnI, devendo, portanto deve ser feito o diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio com terapêutica específica. Estudos de seguimento destes pacientes evidenciam que eles apresentam um maior risco de morte, IAM subseqüente ou readmissão com angina instável em comparação com pacientes que não apresentam níveis detectáveis de cTnT ou cTnI.
Alterações diagnósticasA sensibilidade e a precisão diagnóstica das cTnT e cTnI levaram a “European Society of Cardiology” e o “American College of Cardiology” a propor novos critérios diagnósticos para o infarto do miocárdio. Estes consideram a dosagem de cTnT e cTnI o teste bioquímico mais importante. Logo, um infarto pode ser diagnosticado quando ocorrer alguma das situações abaixo:
  • Alterações definitivas no ECG (onda Q e elevação do segmento ST)
  • Alterações isquêmicas no ECG
  • Sintomas cardíacos
    mais um aumento (e queda ) de cTnT ou cTnI.
ProblemasDeve ser lembrado que a falta de elevação de cTnT ou cTnI não exclui o diagnóstico de doença isquêmica do coração. Um paciente que é internado com suspeita de IAM, mas que não apresenta níveis detectáveis de cTnT ou cTnI, ainda requer uma investigação adicional como em teste de esforço ou obtenção de imagens cardíacas para excluir uma estenose que limite o fluxo sanguíneo coronariano. A multiplicidade de métodos para a dosagem de cTnI significa que nem todos exames proporcionam um mesmo resultado ou mostram uma sensibilidade igual. Por isto é importante o médico conhecer o laboratório que efetua as dosagens, a sensibilidade e a reprodutibilidade do método de dosagem.
Outro problema ocorre devido a grande especificidade e sensibilidade das enzimas cTnT e cTnI para a detecção de lesão cardíaca. A elevação de cTnT ou cTnI é um indicado absoluto da existência de lesão cardíaca, mas esta pode ocorrer devido outras causas além do IAM. Uma miocardite, um trauma cardíaco devido cirurgia ou acidente de tráfego, o espasmo arterial coronariano devido uso de cocaína, uma insuficiência cardíaca grave e uma embolia pulmonar podem causar lesão miocárdica com uma elevação associadas das troponinas cardíacas. Finalmente, ambas a cTnT e cTnI podem estar elevadas de forma permanente em pacientes com insuficiência renal crônica e indicam um alto risco de morte em longo prazo. No IAM as enzimas se elevam mas depois voltam a níveis indetectáveis.
Conclusões
O papel das troponinas cardíacas pode ser resumido conforme a seguir:
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico de IAM dentro das primeiras 12 horas após a admissão de um paciente com sintomas cardíacos.
· Para orientar as decisões em relação ao tratamento em pacientes internados com o diagnóstico de angina instável.
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico de IAM em pacientes avaliados tardiamente, p.ex, 2 a 3 dias após um episódio de sintomas cardíacos onde a admissão imediata ao hospital não é necessária.
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico de IAM em pacientes nos quais outros testes (CK, CK-MB) não são confiáveis devido a existência de trauma ou devido um excesso de exercícios.
Fonte:
1. Collinson PO. Troponin T or troponin I or CK-MB (or none?). Eur.Heart J. 1998; 19 Suppl N:N16-N24.
2. Hamm CW, Ravkilde J, Gerhardt W, Jorgensen P, Peheim E, Ljungdahl L et al. The prognostic value of serum troponin T in unstable angina. N.Engl.J.Med. 1992;327:146-50.
3. Stubbs P, Collinson P, Moseley D, Greenwood T, Noble M. Prospective study of the role of cardiac troponin T in patients admitted with unstable angina. BMJ 1996;313:262-64.
4. Stubbs P, Collinson P, Moseley D, Greenwood T, Noble M. Prospective study of the role of cardiac troponin T in patients admitted with unstable angina. [See comments.] BMJ 1996;313:262-4.
5. Lindahl B, Venge P, Wallentin L. Troponin T identifies patients with unstable coronary artery disease who benefit from long-term antithrombotic protection. Fragmin in Unstable Coronary Artery Disease (FRISC) Study Group. J Am Coll Cardiol 1997;29:43-8.
6. Hamm CW, Heeschen C, Goldmann B, Vahanian A, Adgey J, Miguel CM, et al. Benefit of abciximab in patients with refractory unstable angina in relation to serum troponin T levels. c7E3 Fab Antiplatelet Therapy in Unstable Refractory Angina (CAPTURE) Study Investigators [published erratum appears in N Engl J Med 1999 Aug 12;341(7):548]. [See comments.] N Engl J Med 1999;340:1623-9.
7. Heeschen C, Hamm CW, Goldmann B, Deu A, Langenbrink L, White HD. Troponin concentrations for stratification of patients with acute coronary syndromes in relation to therapeutic efficacy of tirofiban. PRISM Study Investigators. Platelet Receptor Inhibition in Ischemic Syndrome Management. [See comments.] Lancet 1999;354:1757-62.
8. Lindahl B, Diderholm E, Lagerqvist B, Husted S, Kontny F, Stahle E. Invasive vs noninvasive strategy in relation to troponin T level and ECG findings-a FRISC-2 substudy. Eur Heart J 2000;21:469.
9. Cannon CP, Weintraub WS, Demopoulos LA, Vicari R, Frey MJ, Lakkis N, et al. Comparison of early invasive and conservative strategies in patients with unstable coronary syndromes treated with the glycoprotein IIb/IIIa inhibitor tirofiban. N Engl J Med 2001;344:1879-87.
10. Myocardial infarction redefined - a consensus document of The Joint European Society of Cardiology/American College of Cardiology Committee for the redefinition of myocardial infarction. Eur.Heart J. 2000;21:1502-13.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br"


quarta-feira, dezembro 29, 2010

O Estado Social

Ao assistir ao videograma em epígrafe tente reflectir sobre o sistema político, social e económico em que vive e como orienta o seu voto aquando dos pleitos eleitorais.
Michael Moore a fazer-nos pensar... com um par de entrevistas...

      

Ficção televisiva Bissau-Guineense

Foi com alegria e algum entusiasmo que tomei conhecimento, por mero acaso, da existência de ficção nacional bissau-guineense em vídeo. Mais, datada de 2008... comprovativo de que a sociedade civil não desiste de viver em estabilidade política e num status de normalização social, fazendo no quotidiano o que deve ser feito para alavancar a economia e trazer de volta a normalidade pacífica, apanágio da República da Guiné-Bissau durante dois dos três decénios e meio que leva como país independente.

"Cassamenti catem rassa" e "Barudjo", de seus títulos, são retratos sociais bem humorados do quotidiano Bissau-guineense, falados em crioulo da Guiné-Bissau, por actores nacionais. Parabéns atrasados aos que se lançaram nesta gesta, independentemente das condições técnicas, materiais e logísticas disponíveis (ou não...), lançaram mão da plataforma internet para publicar o seu trabalho e disponibilizá-lo ao público (como eu...), que na diáspora não poderia de outro jeito aceder a ele.

Aqui fica um "cheirinho" do primeiro episódio..., são 7 no total, de "Cassamenti catem rassa"...



Ambas as séries estão disponíveis no Youtube ( http://www.youtube.com ), para aceder aos primeiros episódios de cada uma basta clicar acima sobre o título da série (texto a sépia).

segunda-feira, dezembro 27, 2010

O Baptismo


"Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo - O Batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra"

"Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naquele que os recebem com as disposições exigidas.
A Igreja celebra os sacramentos como comunidade sacerdotal estruturada pelo sacerdócio baptismal e pelos ministros ordenados.
O Espírito Santo prepara para a recepção dos sacramentos por meio da Palavra de Deus e da fé que acolhe a Palavra nos corações bem dispostos. Então, os sacramentos fortalecem e exprimem a fé.
O fruto da vida sacramental é ao mesmo tempo pessoal e eclesial. Por um lado, este fruto é para cada fiel uma vida para Deus em Cristo Jesus; por outro, é a para a Igreja crescimento na caridade e em sua missão de testemunho."


Os sacramentos da ICAR têm em si algo de místico, na medida em que, apesar do elevado número de Católicos Apostólicos Romanos que encontramos por esse mundo fora, só uns poucos sabem dizer quais os sacramentos, a liturgia, os dogmas e acompanham regularmente o que emana do Vaticano relativamente à Igreja Católica e ao mundo.

Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimónio são os sete sacramentos da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana). E podem ser tipificados como de Iniciação (Baptismo, Confirmação e Eucaristia), Cura (Penitência e Unção dos enfermos) e de Serviço (Ordem e Matrimónio).

Vem tudo isto a propósito do baptismo da minha sobrinha Bia-coração (vídeo acima), que ao entrar para a família cristã, não deixa de pertencer ao meu mundo agnóstico, nem de ser a pessoa maravilhosa que é. (eu sou suspeito uma vez que sou tio... mas é verdade, esta menina nem parece ter apenas 11 anos, tem uma maturidade que faz esquecer a sua pouca idade e nos leva a tomá-la por adulta quando falamos com ela).

Esta reflexão resulta desse facto.