sábado, junho 24, 2017

Pater requiescant in pace

    Elisée Jean-Marie William Turpin 
   (23/05/1930, Bissau - 24/06/2017, Bissau)

Outrora jovem e garboso gentil-homem guineense, orgulhoso dos valores e mores que a rígida educação recebida lhe transmitiu mas, dono de um espírito e mente abertos à modernidade que se avizinhava  numa África pós-guerra mundial '39-'45 rumo aos movimentos independentistas e às independências nos anos '50-'60, revoltado com o tratamento injusto dado ao seu avô materno, António dos Santos Teixeira, por alegadamente se ter recusado a contribuir financeiramente para as "campanhas de pacificação" de João Teixeira Pinto (1910-1915), consequente prisão e expropriação de alguns bens/património, desde cedo lhe seguiu as pisadas e a motivação independentista. Este sentimento levou-o a pugnar por dois objectivos primordiais para ele, a saber: garantir a sua independência económica e financeira, ingressando ainda teenager, nos CTT primeiro, depois na SCOA, na Casa Gouveia e finalmente na ANCAR; e participar da libertação do "jugo colonial" no seu "país" junto com outros colegas da sua geração. Conseguiu o primeiro objectivo ainda jovem, antes dos 30 anos e contribuiu com sacrifício, trabalho e perseverança para a obtenção do segundo.
Hoje, octagenário, longe dos anos doirados e sofridos de antanho, com a saúde debilitada o velho guerreiro de tantas lutas, no sindicato, na Associação Comercial, na fábrica de coconote no ilhéu do Rei, no PAIGC, no País enfim, soçobrou enquanto dormia, de madrugada, a Morte ceifou-lhe a Vida.
Nunca desistiu dos seus ideais, amou o seu país e o seu povo, suas gentes, manteve-se sempre ao lado dos mais desfavorecidos, tal como seu pai lhe ensinara dando o exemplo, igual a si próprio, respondendo quando o chamavam: "Elisée Jean-Marie!" - " O único!".
Fica a saudade, a memória e pena do pouco tempo passado com ele mas, fica também o exemplo e a certeza do orgulho de com ele ter privado, aprendido e convivido e através dele ver uma Guiné que sem a sua orientação e esclarecimentos seria pouco apelativa para mim que a não compreendia.
RIP  

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Gastronomia da Guinea Bissau - CPLP Guiné Bissau

Pelo estômago... também se conquista... e é sempre um prazer rever o primo "Lua" a promover a gastronomia local.

Guinea Bissau, praia de Varela

Recursos Naturais...Bissau-guineenses


Paulo Flores - Isso é que é Economia

Em Luanda, como em Bissau... "isso é que é ECONOMIA", diz o "miúdo Maravilha", como o epitetava o saudoso Jorge Perestrelo.


Guiné-Bissau, as paisagens (terceira parte)

Estes vídeos são da autoria da Asequagui - Associação dos Estudantes e Quadros Guineenses em Itália.

Guiné Bissau, as paisagens (segunda parte)

Guiné-Bissau, as paisagens (primeira parte)

domingo, setembro 11, 2016

O Carnaval... na República da Guiné-Bissau...

O desfile carnavalesco original...

ver video no Youtube...

A continuação no plano Político...

ver video no Youtube...



sábado, fevereiro 14, 2015

Um retrato Bissau-Guineense

Navegando "à bolina" na internet dei por mim no YouTube visualizando esta vídeo-viagem pela Guiné-Bissau, de onde sou natural. Aqui fica a partilha, por entender interessante o retrato feito em 2013 pelo autor.

Foram para mim 25 minutos de introspecção, viajando por espaços onde estive uns, outros onde gostaria de ter estado e alguns que me penou ver o estado em que se encontram/ encontravam ao tempo da gravação do documento. Mas tudo isto forma a idiossincrasia especial de um cantinho muito sui géneris da África ocidental sub-Sahariana a que me orgulho de pertencer e onde o meu "bico está enterrado" 

quarta-feira, junho 18, 2014

O Engenho e a Arte

" E também as memórias gloriosas
daqueles reis que foram dilatando
a Fé, o Império, e as terras viciosas
de África e de Ásia andaram devastando,
e aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da morte libertando,
cantando espalharei por toda a parte
se a tanto me ajudar o engenho e a arte."

Permito-me citar do Canto I a estância 2, desse Poema Épico do Poeta-mor Luso, Luís Vaz de Camões, "Os Lusíadas", para através dele homenagear a obra em curso por parte da minha sobrinha-amiga-companheira de lutas estudantis, mas acima de tudo uma "valerosa" mulher bissau-guineense, Dra. Carmelita Pires.

No sec. XVI já Luís Vaz apodava de "terras viciosas" o território ainda mal conhecido, onde hoje a nossa "Ita" procura ajudar as crianças de uma zona desfavorecida materialmente, mas de grande riqueza e potencial humano a terem um futuro mais promissor, investindo na sua educação, passando à prática o estafado slogan de Cabral "as crianças são as flores da revolução...", que mal tratado tem sido o jardim e as suas flores...

Mulher de acção, em vez de lamentar o que o Estado não fez/faz, a Ita lançou-se na concretização da "sua" escola, rudimentar q.b. mas com o essencial para permitir aos 154 alunos um ano lectivo sem interrupções e de aprendizagem de qualidade.

Poderão pensar que é uma gota no oceano, mas é mais uma gota e é o conjunto das gotas da chuva que faz os mananciais que originam dilúvios... 

Aqui fica a minha homenagem, singela, suspeita é certo, mas manifestei acima o eventual "conflito de interesses" que poderia toldar a justiça destas minhas palavras em relação à obra de alguém que me é caro, e que "por obras valerosas se vai da lei da morte libertando" e que sem engenho nem arte espalho, via net, por toda a parte.

sexta-feira, abril 26, 2013

Desconforto

Enquanto "guineense na diáspora", modéstia à parte, os meus 48 anos de ausência somados aos 4 anos de permanência no solo pátrio devem garantir-me este epíteto... tenho por vezes uma visão distorcida dos eventos qe pontuam a actualidade Bissau-guineense. E é com "estes olhos uns que vejo no mundo escolhos onde outros, com outros olhos, não vêem escolhos nenhuns" (António Aleixo)
Cito o poeta Aleixo, não para dar um toque de erudição popular mas, sim, para me socorrer das suas palavras para ilustrar as minhas ideias.

Têm os mass-media internacionais dado grande relevo à captura e expatriamento do contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto para os USA, acusado de associação criminosa para prática de narcotráfico, tráfico de armas para organização terrorista, etc.; e também à acusação do  Presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo, do Primeiro-Ministro Dr. Rui de Barros e do CEMFGA general António Indjai e alguns membros do executivo de transição de malfeitorias  quejandas enquanto cúmplices do primeiro acima citado.

Como seria de esperar todos negam o seu envolvimento em actividades ilícitas,  alegam inocência e apressam-se a solicitar provas do seu envolvimento nas acções de que são acusados e sustento destas por parte da justiça Norte americana et al..

Erro crasso, em meu entendimento, se acusado injustamente o primeiro passo deveria ser comprovar  a proveniência de cada cêntimo do erário pessoal, demonstrando assim que o ganhara de forma lícita; depois constituir um representante legal a fim de na Justiça defender urbi et orbi a sua inocência; e finalmente intentar uma acção judicial por difamação contra os acusadores. Mas este tipo  de comportamento só funciona se a  consciência estiver tranquila...

Ora bem é aqui que "a porca torce o rabo", na distribuição de atribuições entre os diferentes "players" deste imbróglio governativo, político, económico, financeiro e social em que a República da Guiné-Bissau se encontra. Dois governos, forças armadas desavindas e descoordenadas, políticos dissonantes e discordantes que discutem questões pessoais que se sobrepõem à discussão de ideias e programas; partidos residuais minoritários que se catapultaram para o governo, sem suporte eleitoral mas "cavalgando" o golpe de estado e dando-lhe "cobertura" política; bloqueio internacional ao governo de transição imposto pela CEDEAO -estrutura regional da UA- e não reconhecido pela maioria da comunidade internacional, UA incluída,  por ser apoiado/liderado/"de iniciativa" pelos/dos putchistas de 12 de Abril de 2012, ubiquidade por esclarecer.

A missão do Governo é exercer o poder EXECUTIVO, fazer e implementar a Lei do Orçamento de Estado, promover a feitura de Leis, em suma governar o país,  as Forças armadas, subjugadas ao poder politico,  os tribunais, órgãos de soberania e as Polícias com o  poder JUDICIAL; e ser supervisionado pelo Parlamento e Presidência da República através do poder LEGISLATIVO. Grosso-modo, num estado de direito semi-presidencialista, com algumas nuances é mais ou menos assim que as coisas se processam.

Nas condições em que o Estado se encontra neste momento, não consegue cumprir cabalmente nenhum dos pressupostos que seria suposto cumprir enquanto tal e a passos largos dirige-se para a a inevitabilidade de passar de ESTADO FALIDO a  ESTADO FALHADO... passando pelo desconforto de ser considerado entrementes NARCOESTADO/ESTADO TERRORISTA, epíteto que não ajuda nada um estado que depende quase exclusivamente da ajuda externa para suprir as necessidades mais básicas e elementares dos seus cidadãos.

A adir à situação do país há a considerar o elevado número de cidadãos guineenses a braços com a justiça, em áfrica, na europa e américas devido ao tráfico de estupefacientes o que, aos poucos, acarreta o estigma de narcotraficante "colado" à nacionalidade/naturalidade do indivíduo, mesmo antes de aferida a sua culpabilidade e apesar da suposta e propalada presunção de inocência.

O tempo,energia e vidas desperdiçados em questões de lana caprina que em nada beneficiam o país, pelo contrário bastante prejudicam a sua imagem e o seu funcionamento enquanto estado, poderiam/deveriam ser aproveitados em fomentar a situação tida como ideal pelos que tomaram o poder e a responsabilidade de governar o país em Abril de 2012 rumo a uma "transição", ainda muito mal explicada, uma vez que não seria expectável que os que foram depostos/rechaçados do poder pelo "putch" de Abril colaborassem na persecução de objectivos que não eram/são os seus.

A posição da dita Comunidade Internacional também não é muito confortável pois desde o apoio implícito inicial da China, França e USA ao putch e ao governo de transição dele resultante, até à actual situação de guerra aberta à liderança militar bissau-guineense por, alegadamente, atentar contra interesses e vidas norte americanas via narcoterrorismo, demonstram claramente a instabilidade dos apoios externos à República da Guiné-Bissau e ao seu desenvolvimento enquanto estado-nação por parte daqueles estados, mais virados para a sua política interna e interesses geo-estratégicos de momento. Por outro lado a CEDEAO também não fica bem na fotografia pois da contradição inicial de criticar o golpe de estado e a interrupção do processo eleitoral para a presidência da república ao pactuar de seguida com os putchistas e nomear um governo de transição de sua iniciativa com o beneplácito dos militares revoltosos, não contribuiu para uma pacificação da situação que se manteve/mantém numa "guerra fria"  intestina latente  e se consubstanciou objectivamente num não reconhecimento das autoridades por si nomeadas pela maioria da Comunidade Internacional e um bloqueio económico-financeiro com reflexos sociais no país.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Censos 2011 - Portugal



Envelhecendo paulatinamente...

                                              

Consulte os dados na página interactiva no site do INE.