Oncalé era, em Bolama - então capital colonial da Guiné Portuguesa -, o local onde os resíduos sólidos provenientes do saneamento básico urbano desaguavam no Oceano Atlântico, no porto.(Esgoto)
domingo, junho 26, 2005
Rescaldo eleitoral I
Total de eleitores inscritos: 538.471.
- Total de votantes: 471.843 (87,63 cento).
- Votos brancos: 13.239 (2,46 por cento).
- Votos nulos: 10.516 (1,95 por cento).
CANDIDATOS
Malam Bacai Sanhá (apoiado pelo PAIGC) - 158.276 (35,45%).
João Bernardo Vieira (independente) - 128.918 (28,87%).
Kumba Ialá (apoiado pelo PRS) - 111.606 (25,00%).
Francisco Fadul (PUSD, de que é líder) - 12.733 (2,85%).
Aregado Mantenque Té (PT, de que é líder) - 9.000 (2,02%).
Iaia Djaló (independente) - 7.112 (1,57%).
Mário Lopes da Rosa (independente) - 4.863 (1,09%).
Idrissa Djaló (PUN, de que é líder) - 3.604 (0,81%).
Adelino Mano Queta (independente) - 2.816 (0,63%).
Faustino Imbali (PMP, de que é líder) - 2.330 (0,52%).
Paulino Empossa Ié (independente) - 2.015 (0,50%).
Antonieta Rosa Gomes (FCG/SD, líder) - 1.642 (0,37%).
João Tátis Sá (PPG, de que é líder) - 1.378 (0,31%).
Siglas:
PAIGC - Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde.
PRS - Partido da Renovação Social.
PUSD - Partido Unido Social-Democrata.
PT - Partido do Trabalho.
PUN - Partido da Unidade Nacional.
PMP - Partido Manifesto do Povo FCG/SD - Fórum Cívico Guineense/Social-Democracia
PPG - Partido Popular Guineense (PPG)
FONTE: www.noticiaslusofonas.com (25/06/2005)
NOTA: Eestranhamente, ou talvez não, o somatório dos votos expressos na nota de imprensa da CNE não corresponde aos valores oficiais ficando-se pelos 470 048 votos expressos em vez dos 471 843 referidos ad initio como total de votantes apurado.
Com uma participação de 471 843 eleitores, cerca de 87,63 % (87,62645%) do universo eleitoral de 538 471 eleitores, pode dizer-se que este processo foi participado massivamente. Já o resultado eleitoral dá azo a leituras várias...
Malam Bacai Sanhá com 158 276 votos (29,39% (29,39359%) do universo total; e 33,54% (33,54421%) dos votos expressos); João Bernardo Vieira com 128 918 votos (23,94% (23,94149%) do universo total; e 27,32% (27,32222%) dos votos expressos); e Kumba Ialá com 111 606 votos (20,73% (20,72646%) do universo total; e 23,65% (23,65321%) dos votos expressos), repartiram entre si o grosso das preferências dos seus concidadãos com capacidade eleitoral. Ainda assim 66 628 eleitores, cerca de 12,37355%, optaram por não votar.
Isto abre perspectivas interessantes para a 2.ª volta entre Malam Bacai Sanhá e João Bernardo Vieira. Ambos terão de ir buscar votos a um campo adverso, onde o PAIGC de onde provêm, é persona non grata.
- Malam Bacai Sanhá precisa obter cerca de 21% mais de votos e manter os 29,39% que já obteve a fim de garantir a presidência sendo que tem, entre os abstencionistas, alguma margem de manobra e é sempre preferível partir-se à frente;
- João Bernardo Vieira tem o mesmo óbice que Sanhá mas acrescido do handicap de ter governado durante 18 anos, da forma que se sabe... e ter perdido em 1998/99 algo da aura de herói-estratega militar com que foi visto durante bastante tempo. Além de necessitar de concitar cerca de 26% mais de votos e manter os 24% obtidos dia 19 de Junho.
Em todo o caso, o que torna interessante o processo é que, a última palavra está nas mãos do povo e este manifestar-se-à em meados de Julho. Até lá cabe aos candidatos tentar convencer os seus concidadãos da bondade das suas propostas e sua exequibilidade... talvez agora se tome a res publica a sério e a palavra substitua o ofertório descarado de bens de utilidade dúbia como apelo ao voto.
Não fora temer que, uma vez mais, o acaso assumisse foro de lei substituindo-se ao pensamento elaborado, cônscio e sensato atrever-me-ia a dizer: "allea jacta est".
Uma palavra de apreço em relação à forma como decorreu o processo eleitoral, elogiado por quase todos os interventores.
Uma outra palavra, esta de repulsa, pela forma como se ensombrou um processo que tinha decorrido de forma "exemplar", tendo em conta os anteriores escrutinios eleitorais. Há que saber aceitar a vitória e, do mesmo modo, há que saber suportar a derrota, com fair play e sentido de estado. Recorrendo à Justiça quando alegadamente injustiçados, ainda que se não acredite muito nela, embora o PRS não se possa queixar dos tribunais... nomeadamente do STJ. Lamentar a perda de Vidas, pois não é esta a via para o desenvolvimento de uma sociedade pacífica, unitária, justa, equilibrada e tecnológicamente desenvolvida, onde a trilogia de St. Martin prevaleça e beneficie todos os cidadãos.
domingo, junho 19, 2005
Marcar com uma Pedra branca

Cláudia Turpin
Muitos e bons anos de vida Tutu-tutu!!!

quinta-feira, junho 16, 2005
Vamos a votos... Domingo

mapas da República da Guiné-Bissau
"538.471 eleitores inscritos para as presidenciais de domingo
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau anunciou hoje que estão inscritos 538.471 eleitores para votar nas terceiras eleições presidenciais da Guiné-Bissau, que se disputam domingo.
Num relatório com as estatísticas do sistema de registo eleitoral, o recenseamento eleitoral feito de raiz entre Fevereiro e Abril deste ano, permitiu clarificar o total de cidadãos inscritos que corresponde, em média, a menos de 10 por cento dos eleitores que constavam nas listas das legislativas de Março de 2004.
Bissau, contado como sector autónomo e uma das nove regiões em que se divide administrativamente a Guiné-Bissau, continua a contar com o maior número de eleitores, estando inscritos 144.016, o que corresponde a 26,7 por cento do total.
Depois vem a região de Oio (centro norte), feudo da etnia balanta, com 80.530 eleitores inscritos (15 por cento), seguida pelas de Gabu (72.513 - 13,4 pc) e Bafatá (71.003 - 13,1 pc), ambas no leste e onde são habitadas maioritariamente por fulas e mandingas, que normalmente decidem as votações.
A quinta região com maior número de votantes é a de Cacheu (norte), com 64.065 (11,9 pc), seguida pelas de Tombali (centro sul, 36.250 - 6,7 pc), Biombo (centro litoral, 32.514 - 6 pc), Quínara (sul, 22.612 - 4,2 pc) e Bolama/Bijagós (oeste, 14.958 - 2,7 pc).
Para que possam votar, os eleitores terão disponíveis 2.210 assembleias de voto, espalhadas pelas nove Comissões Regionais de Eleições (CRE), para onde já seguiu todo o material eleitoral.
Segundo o presidente da CNE, no dia da votação, as urnas abrem às 07:00 locais (08:00 em Lisboa) e encerram às 17:00, podendo manter-se abertas no caso de, à hora de fecho, ainda houver eleitores a aguardar pela vez de exercer o seu direito cívico." in «Notícias Lusófonas - 15/06/2005»
Aceitam-se apostas...
José Fontinhas

Eugénio de Andrade (1923-2005)
Junho tem sido predatório para a cultura portuguesa, aqui assinalo mais uma perda maior e apresento o meu preito de homenagem a Eugénio de Andrade. A melhor forma de o fazer, em meu entender, é elencar a sua obra.
Bibliografia
Livros de Poesia
"Adolescente". Lisboa, ed.do Autor, 1942.
"Pureza". Lisboa, Livraria Francesa, 1945.
"As Mãos e os Frutos".Lisboa, Portugália, 1948.
"Os Amantes sem Dinheiro". Lisboa, Centro Bibliográfico, 1950.
"As Palavras Interditas". Lisboa, Centro Bibliográfico, 1951.
"Até Amanhã". Lisboa, Guimarães Editores, 1956.
"Coração do Dia". Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1958.
"Mar de Setembro".1961.
"Ostinato Rigore". Lisboa, Guimarães Editores, 1964.
"Obscuro Domínio". Porto, Editorial Inova, 1971.
"Véspera da Água". Porto, Editorial Inova, 1973.
"Escrita da Terra e Outros Epitáfios". Porto, Editorial Inova, 1974.
"Limiar dos Pássaros". Porto, Limiar, 1976
"Memória Doutro Rio". Porto, Limiar, 1978.
"Matéria Solar". Porto, Limiar, 1980
"O Peso da Sombra". Porto, Limiar, 1982.
"Branco no Branco". Porto, Limiar, 1984.
"Aquela Nuvem e Outras". Porto, Edições Asa, 1986.
"Contra a Obscuridade". Lisboa, Círculo de Leitores.
"Vertentes do Olhar". Porto, Limiar, 1987.
"O Outro Nome da Terra".
"Rente ao Dizer"
"Homenagens e Outros Epitáfios"
"Ofício de Paciência"
"Antologia Breve"
"O Sal da Língua". Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1995.
Livros de Prosa
"Os Afluentes do Silêncio". Porto, Editorial Inova, 1968.
"História da Égua Branca". Porto, Edições Asa, 1976.
"Rosto Precário". Porto, Limiar, 1979.
"À Sombra da Memória".
Obras Colectivas de Poesia e de Poesia e Prosa
"Poemas". Lisboa, Portugália Editora, 1966.
"Obra de Eugénio de Andrade". Porto, Editorial Inova, 1973-1974.
"Obra de Eugénio de Andrade". Porto, Limiar, 1977-
"Poesia e Prosa". (1940-1979), 2 vols., Lisboa, Casa da Moeda, 1980.
"Poesia e Prosa". (1940-1980), Porto, Limiar, 1981.
"Poesia e Prosa". (1940-1986), 3 vols.,Lisboa, Círculo de Leitores, 1987.
Antologias de Poesia
"Antologia" (1945-1961). Lisboa, Delfos, 1961.
"Antologia Breve". Porto, Editorial Nova, 1972.
"Chuva sobre o Rosto". Porto, Editorial Nova, 1976.
"Primeiros Poemas". Porto, Editorial Nova, 1977.
"Poesia em Verso e Prosa". Lisboa, Círculo de Leitores, 1980.
"Coração Habitado", Porto, O Oiro do Dia, 1983.
Plaquetas e Edições Avulsas
A) De Poesia:
"Eros de Passagem". Porto, Editorial Nova, 1968.
"Limiar dos Pássaros". Suplemento da revista "Nova" nº1, Inverno de 1975-1976.
"Requiem para Pier Paolo Pasolini". Porto, Editorial Inova, 1977.
"Epitáfios de Agosto". Porto, Editorial Inova, 1978.
"Pintores e Poetas Portugueses", vol.II, 2ª série. Lisboa, Altamira, 1985.
B) De Prosa:
"Júlio Resende entre a Angústia e a Esperança". Porto, O Oiro do Dia, 1981.
"A Domingos Peres das Eiras, com umas violetas". Porto, Fundação Eng.º António de Almeida, 1986.
(Edição trilingue: português, inglês e francês).
Traduções
"García Lorca, Antologia Poética". Coimbra, Coimbra Editora, 1946.
"Federico García Lorca, Amor de Dom Perlimplim com Belisa em Seu Jardim". Lisboa, Delfos, 1961.
"Cartas Portuguesas Atribuídas a Mariana Alcoforado". Porto, Editorial Inova, 1969.
(Edição bilingue).
"Poemas e Fragmentos de Safo". Porto, Limiar, 1974.
"Dez Poemas de García Lorca". Porto, Editorial Inova, 1978.
"Doze Poemas de Yannis Ritsos". Porto, Editorial Inova, 1978.
"Trocar de Rosa". Lisboa, A Regra do Jogo, 1980.
"Pequeno Retábulo de S.Cristóvão", de Federico García Lorca. Porto, O Oiro do Dia, 1980.
Antologias de Textos de diversos Autores
"Daqui Houve Nome Portugal". Porto, Editorial Inova, 1968.
"Memórias de Alegria". Porto, Editorial Inova, 1971.
"Duas Cidades". Porto, Editorial Inova, 1971.
"Versos e Alguma Prosa de Luís de Camões". Porto, Editorial Inova, 1972.
"Variações sobre um Corpo". Porto, Editorial Inova, 1972.
"O Poeta e a Cidade". Porto, Editorial Nova, 1972.
"Alentejo Não Tem Sombra". Porto, O Oiro do Dia, 1982.
"Eros de Passagem. Poesia Erótica Contemporânea". Porto, Limiar, 1982.
"Escrito na Cal." Porto, ed.da Câmara Municipal de Portel, 1984.
Obras Traduzidas
Alemanha:
"Die weibe Stute", in "Dichter Europas erzählen Kindern". Trad. de Helmut Frielinghaus, Colónia, Midlhauve, 1972.
Ex-Checoslováquia:
"Portugalski Kvartet" (Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, Eugénio de Andrade, Herberto Hélder). Trad. de Mirko Tomasovic, Zagreb, Znanje Zagreb, 1984.
Espanha:
"Antología Poética 1940-1980". Versão de Ángel Crespo, Barcelona, Plaza & Janes, 1981.
"Escritura de la Tierra", III. Trad. de José Luís García Martín, in "Fin de Siglo", nº8, Jerez de la Frontera, 1984.
"Memoria d'Outru Riu". Trad. (em bable) de António García, Oviedo, Libros de Frou, 1985.
"Blanco en lo Blanco". Trad. de Fidel Villar Ribot, Granada, Editorial D.Quijote, 1985.
"Vertientes de la Mirada y Otros Poemas en Prosa". Trad. de Ángel Crespo, Madrid, Ediciones Júcar, 1987.
"Ostinato Rigore". Trad. de Manuel Guerrero, pref. de Eduardo Lourenço, Barcelona, Ediciones de Mall, 1987.
"Matéria Solar". Trad. (em catalão) de Vicente Berenguer, Valência, Gregal Llibres, 1987.
"Contra la Escuridade". Trad. (em bable) de Antonio García, Oviedo, Academia de Língua Asturiana, 1987.
Estados Unidos:
"Inhabited Heart: The Select Poems of Eugénio de Andrade". Trad. de Alexis Levitin, Van Nuys, Califórnia, Perivale Press, 1985.
"White on White". Trad. de Alexis Levitin, in "Quaterly Review of Literature", Princeton, New Jersey.
"Memory of Another River". Trad. de Alexis Levitin, St. Paul, Minnesota, New Rivers Press, 1988.
"The Slopes of a Gaze". Trad. de Alexis Levitin, Plattsburgh, New York, Apalachee Press, 1992.
(Edição bilingue: português e inglês).
França:
"Vingt-sept Poèmes d'Eugénio de Andrade". Trad. e impressão de Michel Chandeigne, Paris, 1983.
"Une Grande, Une Immense Fidélité". Trad. de Christian Auscher, Paris, Chandeigne, 1983.
"Matière Solaire". Trad. de Mª Antónia Câmara Manuel, Michel Chandeigne e Patrick Quiller, Paris, La Différence, 1987.
"Les Poids de l'Ombre". Trad. de Mª Antónia Câmara Manuel, Michel Chandeigne e Patrick Quiller, Paris, La Différence,1987.
Itália:
"Ostinato Rigore, Antologia Poetica". Trad. de Carlo Vittorio Cattaneo, Roma, Edizioni Abete, 1975.
"Memoria d'un Altro Fiume". Trad. de Carlo Vittorio Cattaneo, Luxemburgo, Éditions Internationales Euroeditor, 1984.
México:
"Brevisima Antología". Trad. de A. Ruy Sánchez, México, Universidad Nacional Autónoma, 1981.
Ex-URSS:
"Poesia Portuguesa Contemporânea": José Gomes Ferreira, Jorge de Sena, Carlos Oliveira e Eugénio de Andrade. Trad. de Elena Riáuzova, Moscovo, Editorial Progress, 1980.
Venezuela:
"Blanco no Blanco". Trad. de Francisco Rivera, Caracas, Fundarte, 1987.
Portugal:
"Ostinato Rigore", edição bilingue (português e francês), com traduções de Bruno Tolentino e de Robert Quemserat, Porto, Editorial Inova, 1971.
"Escrita da Terra e Outros Epitáfios", edição bilingue (português e italiano), com traduções de Vottorio Cattaneo, Porto, Editorial Inova, 1974.
"Changer de Rose, Poèmes de Eugénio de Andrade traduits em espagnol, français, italien, anglais et alemand." Trad. de Ángel Crespo, Xosé Lois García, Pilar Vásques Cuesta, Armand Guibert, Robert Quemserat, Isabel Magalhães, Sophia de Mello Breyner e Guillevic, Bruno Tolentino, Carlo Vittorio Cattaneo, Guiseppe Tavani, Luciana Stegagno Picchio, Jonathan Griffin, Jean R. Longland, Mário Cláudio e Michel Gordon Lloyd, Erwin Walter Palm, Curt Meyer-Clason, Porto, Editorial Inova, 1978.
Edições Especiais
"30 Poemas, Poemas, Poèmes, Poems"
(entre muitas outras)
Até sempre Camarada!

Dr. Álvaro Barreinhas Cunhal (Duarte) (1913-2005)
Figura polémica mas, inolvidável e marcante ao longo de 74 anos de actividade política. Mesmo não comunhando, no geral, das ideias que sempre defendeu e das vias que seguiu rumo ao seu ideal, não posso deixar de modestamente homenagear esta figura maior da nossa história contemporânea, quer nacional quer europeia. Com intervenção de tomo a nível político mas, também na literatura, no comentário político e nas belas-artes, nomeadamente desenho e pintura, deixa um espaço vazio que díficilmente será colmatado no curto prazo. Que a terra lhe seja leve!
quarta-feira, junho 08, 2005
Fascinum

25 penis tree - Vietnam
Hoje é o dia do meu aniversário, fascinado vejo o tempo passar por mim e hoje pai, tio, primo em vários graus, tio-avô mas também, felizmente, filho e sobrinho, recordo tempos não tão longínquos quanto isso, em minha opinião, em que não adquirira algumas destas capacidades e me limitava a ser um moçoilo bem disposto, jovem (in)consciente...
Fascinado dizia, revejo os anos passados e começo a entender os que, mais adiantados que eu na estrada da Vida, como os meus pais, dão grande importância às memórias de tempos idos e gestas de antanho que, de tantas vezes contadas, passaram a fazer parte da memória familiar comum, o que nem sempre é agradável... e.g., as gracinhas pueris... (I rest my case...)
Fascinado vejo-me hoje sucumbir perante a tentação de, a exemplo dos mais velhos, lhes seguir as pisadas no que toca às memórias, as minhas memórias, e dou por mim atazanando os meus filhos com a enésima recapitulação de tal evento perdido nas brumas da memória...e sinto-os tão embarassados como me sentia quando apenas filho, primo, sobrinho, neto... ouvia memórias outras que não as minhas...
Fascinado antevejo um futuro que não quero desmemoriado mas, que também não pretendo escravo de memórias. Um futuro em que cada minuto passado tenha sido um minuto intensamente vivido, saboreado como se fosse o primeiro pois desbravar o Tempo é abrir caminho sobre o arco-íris rumo ao pote de mel. Luta perdida à partida pois cada minuto vivido nos aproxima da Morte. É este contra-senso que traz emoção ao facto de estarmos vivos, o sabermos que convém tirar o melhor partido possível de cada momento; o sabermos que a caminhada não é interminável e que o termo chegará mais tarde ou mais cedo, sempre inesperado; o sabermos que não estamos sós nesse desígnio igualitário...
Hoje, aos 44 anos, olho para trás e vejo que não fiz tudo o que quereria ter feito, desperdiçei oportunidades, é facto, poderia ter sido mais assertivo aqui e ali, mais tolerante acolá, em suma sou um ser humano com defeitos (poucochinhos...) mas, fascinado vejo que, se pudesse voltar atrás, na maioria dos casos voltaria a fazer o mesmo porque na altura em que o fiz essa me parecia ser a melhor solução e gosto daquilo que sou (deve ser por isso que me apodam de teimoso).
sexta-feira, maio 27, 2005
O feito por não feito...
Afinal às 3:00AM do dia 25 não foi o dr. Kumba quem se apresentou na sede da presidência da república acompanhado de militares que ameaçaram os seus colegas de serviço na presidência; também não foi o dr. Ialá quem ocupou durante 4 (quatro) horas as instalações, onde não ouviu a comunicação radiofónica do general Tagma Na Waie concedendo-lhe até às 08:00AM para abandonar as instalações; e também não foi o dr. Ialá quem abandonou pela surra as ditas instalações antes de findo o prazo estipulado...
Pena que os "mass media" percam o seu tempo reportando as negadas intentonas do dr. Ialá... quem não teve a coragem de resistir quando se achou injustamente afastado do poder, que legítimamente conquistara, não iria agora assumir com frontalidade a tentativa de recuperação do dito... sobretudo quando lhe falharam os apoios com que certamente contava... afinal, não basta ser Balanta para enviar os demais Balantas para uma guerra civil, especialmente quando na Chefia do Estado Maior das Forças Armadas se encontra um... Balanta!
Assim, fica o feito por não feito, até ser mais oportuno... refazer...
Post Script
Adivinhem quem, de fininho, se ausentou para Dakar...?
Anonimato
Como é óbvio, eu, o autor do post, estou identificado e foi isso que decidi, não me esconder atrás de qualquer nick, e por esse lado estou certo que continuo sendo coerente, os meus posts estão todos identificados. Compreendo e entendo a curiosidade alheia, agradeço até a paciência de lerem as linhas que escrevo mas, por uma questão de respeito para quem é aludido sem autorização prévia, é devido o acautelar da sua identidade. Máxima liberdade implica máxima responsabilidade...
De qualquer forma é mandatório que satisfaça a curiosidade deste meu amigo e doutros que possam ter tido igual dúvida: a minha Vitamina K, é também conhecida por Filoquinona!!!... já agora as propriedades: necessária para a coagulação do sangue (anti-hemorrágica); e ajuda a manter os ossos saudáveis (osteogénica). Onde encontrá-la? Simples, repolho verde, espinafres, feijão, cenoura, ervilha, fígado...
Nota pessoal para Jarbas Reis:
- Fui visitar seu "space", é acolhedor mas você é um pouco telegráfico... já agora, grato pela ajuda que deu a Klenze na produção da apresentação electrónica.
Aquele abraço
domingo, maio 22, 2005

Albert Einstein

e=mc2
Esta fórmula revolucionou o mundo. Está na base do poder nuclear, também serve para explicar o "big-bang"...
Abaixo a cópia da carta de Einstein a Franklin D. Roosevelt que originou o investimento no programa nuclear Americano por parte da Administração Roosevelt... nada mau para um pacifista convicto...
4x4x2; 4x5x1; 4x3x2x1...
Fórmulas usadas por Geovanni Trapattoni que nos levaram ao sucesso no campeonato 2004/2005 Viv'ó Glorioooosooooooooooooooooooooo!!!!
(Nota: os "Lagartos" não têm sorte com o Nacional, bailinho lá...bailinho cá... os "Andrades" não conseguiram bater a "Briosa"... depois o Glorioso é que não merece...)
Palavras para quê...
Hoji, fô dia de Graça...
(...)
Quem fez o Mundo fô Deusss!...»
As bentas palavras de Ioannes Paulus II, nas praias brasileiras nos idos de oitenta, foram o primeiro pensamento que me acudiu e ocorreu quando passamos a bóia de chegada frente à Torre de Belém... à nossa frente quatro velas, atrás de nós uma floresta delas... como é bom navegar entre os primeiros...
Houve uma alteração no team, esta manhã o Miguel não veio mas, veio o Luís Gasparinho e com ele todo o seu saber, competitividade e boa disposição.
A regata foi quase perfeita, soltou-se o "boom-jack" do mastro numa altura crucial, o que nos custou um lugar, mas no mais raiámos a perfeição... os ventos estiveram conosco e nós sempre atrás deles... e o "X-Treem" passou a "X-Treem(ly) quick"...
Os homens da CNOCA, até estavam admirados perante tal prestação, sobretudo porque o barco deles ficou bem para trás...
Bem dizia o Luís «Devem estar a ver se não estamos a usar o motor».
Em suma uma grande regata!!!
Já agora o team:
- Timoneiro: Luís Gasparinho;
- Burdas, Genoa, Vela grande: Carlos Gasparinho;
- Vela grande: Hugo Gasparinho;
- Contra-peso e Genoa: Fílipe Gasparinho; e
- Contra-peso e Genoa: Désiré Turpin.
A regata foi a "Regata do Dia da Marinha", de boa memória!
sábado, maio 21, 2005
Por rios nunca dantes velejados
Vem isto a propósito da minha participação na "Regata do Coração" do Clube Naval de Lisboa, a bordo do "X-Treem", do Dr. Carlos Gasparinho, como tripulante. Um veleiro de 33 pés, classe ANC - A, que voou no Tejo e se classificou em 17.º lugar com 2:35':14'' tempo corrigido, em 40 participantes... não está mal, mais(!), foi a 1.ª vez que a equipa navegou/velejou em conjunto...
Adaptei-me muito bem, e foi muito agradavel, mau-grado alguns erros que nos fizeram perder posições, nomeadamente em algumas manobras que implicavam maior coordenação notou-se que não estavamos ainda "mecanizados" na sua concretização.
Para que conste a composição da equipa foi a seguinte:
- Timoneiro e nas "sandoscas", Carlos Gasparinho;
- Vela grande, Burda e nos "croissants", Hugo Gasparinho;
- Balão, Adriças, Escotas, Boom-Jack, "croissants", telemóvel e a "tirar uma pestana" Fílipe Gasparinho;
- Genoa, Miguel ...(?), movido a "bolachinhas" e Désiré Turpin.
Foi uma regata muito divertida em que o vento ou a falta dele condicionou o nosso andamento mas nunca a boa disposição. Pena não termos podido ver, ainda, o "Laisy-Jack" em acção.
Amanhã será a "Regata da Marinha"... a ver vamos...
sexta-feira, maio 20, 2005
E=mc2 (1905)
É interessante pensar que, sendo Albert Einstein um pacifista, a sua fórmula mais célebre esteja na base do estudo da fissão nuclear e do "nuclear power" e que a carta que assinou e enviou a Roosevelt estivesse na origem da investigação nuclear militar nos USA que levou à produção das primeiras bombas atómicas... este foi o lado mau que o próprio Einstein procurou combater ou atenuar, tentando sensibilizar os governantes em relação ao risco da energia atómica usada para fins bélicos. O reverso da medalha, i.e., da fórmula, é que ela também serve para explicar o "big bang", isto Einstein já não presenciou nem soube... mas, mereceria saber!
segunda-feira, maio 16, 2005
O Camuflado...
Não me entendam mal, o "camuflado" é um estado de alma, a força que faz com que alguém se mantenha no seu posto, após uma vida de trabalho, ainda que não retire daí grande satisfação pessoal de qualquer índole...
Com efeito na Guiné-Bissau, nos dias que correm, é muito complicado fazer-se o que quer que seja de produtivo, é mais fácil destruir. Mas só destroi com esta facilidade quem nada criou, é o reflexo de uma geração formada na base do centralismo do Estado, em que o Estado tudo podia e fazia, impunemente, em que o sistema dependendo embora das ajudas externas não fazia ondas, mantinha o Low profile exigido e exigível pelas instâncias Internacionais que sempre sancionaram as suas acções, fecharam os olhos aos desmandos menores e repreenderam mudamente os maiores mas, sempre na óptica de manutenção do status quo. E a panela foi ebulindo sem escapes... até explodir. Estamos perante as réplicas dessa erupção mortífera.
E não há quem tenha mão nisto.
Esta anedota da auto-proclamação do dr. Ialá como presidente seria de ir às lágrimas não fora o risco inerente a esta acção e o que ela encerra em si...
O STJ, incompreensívelmente, lança achas, não numa fogueira mas, num incêndio que lavra na política nacional, bastava bom senso...
Os militares são, no meio disto, quem mais sentido de Estado demonstra.
O Governo, uma vez mais, é apanhado com "as calças na mão" mas, a trabalhar. A "Secreta" já não é o que era...
Quem quererá investir numa "República das Bananas"?
Quem respeitará uma "República das Bananas"?
Quando deixaremos de ser motivo de chacota para a comunidade internacional?
Enquanto a classe política, felizmente não toda, brinca às democracias e vai exaurindo os escassos recursos do país, o vulgar cidadão tem de sobreviver, criar os filhos, educá-los, abrigá-los, pagar as dívidas, os impostos, etc. e tal e produzir, sim produzir! o pouco que o país produz... e ter a força de remendar o "camuflado" pois novas batalhas se avizinham a cada dia.
domingo, maio 15, 2005
Viv'ó GLORIOSO!!!!
não são Otómanos, nem croissants, pelo contrário... mas foi "bóptimo" ganhar aos "lagartos" (com todo o respeito!), lá se foi a "pavoneação"...
Agora, não poderia deixar de manifestar-lhes todo o meu apoio na jornada Europeia que se avizinha e onde podem conquistar o título na Taça UEFA. Que as pernas lhes não fraquejem no dia 18!!!! (mas o campeonato é nosso!!!)
Vitamina K
Carmen Miranda popularizou uma canção cujo refrão ainda hoje é referência quando se fala do Estado da Bahia, Brasil, «O que é que a Bahiana tem...»...
Cerca de 60 anos depois, começo a descobrir a magia das gentes da Bahia através da minha vitamina K.
É uma força da natureza (!), nacionalista de sete costados, empreendedora, dócil, mãe extremosa, teimosa, boa cozinheira, toda amor e muito fatalista que eu adoro contraditar.
Familiarizada com as novas tecnologias da informação e comunicação alarga o seu país continente, a partir da sua pequena cidade, à Aldeia Global.
Erudita de um modo muito particular, espartilhando o gnóstico por uma visão sui generis do mundo e das coisas, alicerçando o seu saber no muito que lê e escreve.
È difícl falar de alguém por quem nutrimos amor, carinho e muita amizade mas, a minha vitamina, ME FAZ MUITO BEM!
Schuss
quarta-feira, maio 11, 2005
A um mau médico
Te sacode enfermo bando.
Qual será disto a causal?
É porque, em tu receitando,
Qualquer doença é mortal.
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Aproveito a verve de Bocage para abordar temas médicos, numa altura em que a negligência médica é propalada mas onde se desconhece suficientemente o panorama em que ocorre. Não sou detentor da verdade mas, deixarei aqui a minha verdade...
Manda a praxis que os recém-licenciados em Medicina façam o Juramento de Hipócrates, antes mesmo de estarem inscritos na Ordem e sujeitos ao Código Deontológico da classe; manda a boa prática médica que o profissional conheça e siga as "guidelines" emanadas dos organismos de referência, e.g. WHO, Colégios de especialidade, etc.; manda o bom senso que o médico exerça "medicina defensiva" a fim de evitar problemas de maior no exercício de funções; manda a competência médica que o profissional esteja actualizado em termos de competências e saberes; e manda a cautela que o médico evite situações dúbias "à mulher de César...".
Infelizmente, em Portugal, se por um lado a vulgarização dos serviços de saúde veio trazer uma melhor situação em termos hígidos, por outro, o profissional médico passou a gozar de menos respeito por parte dos seus concidadãos que maioritáriamente o tomam por face do Sistema e tratam em conformidade. E é ver o ror de gente que solicita exames auxiliares de diagnóstico ou terapêutica farmacológica, sobretudo antibiótica, sem ter consciência do custo de uma e dos riscos da outra...é fartar vilanagem que "os nossos descontos é que pagam isto!...".
Eu ainda sou do tempo em que ir ao médico era uma espécie de litúrgia que implicava algum ritual. Vestia-se a roupa domingueira, não se fazia barulho na sala de espera do consultório, o sr. Doutor era ouvido religiosamente e as respostas eram tão exactas quanto possível. Outros tempos...
Hoje o médico exerce sobre várias pressões que o podem desconcentrar da sua função primordial: o exame objectivo do doente a fim de obter um diagnóstico para o factor iatrogénico.
Ele é a Administração que pressiona a fim de aumentar a produtividade reduzindo os custos; a Indústria que, tenta colocar no mercado e sobretudo comercializar o máximo para rendibilizar os investimentos em investigação e comercialização de novas moléculas; a Farmácia que por vezes concorre em vez de complementar; os Laboratórios de análises clínicas, as Físiatria e Fisioterapia que se digladiam entre si na angariação de utentes/beneficiários; a Clínica privada que envia prescrições de exames complementares de diagnóstico só subsidiados no SNS; e os Utentes/Doentes/Beneficiários/Pacientes/Associados/Segurados, etc. que aspiram a ser atendidos rápidamente, antes de entrar no gabinete médico, e demoradamente após estarem em contacto com o clínico, daí resultando um diagnóstico objectivo e uma terapêutica barata mas eficaz.
Sem ser exaustivo creio não ter exagerado no que fica exposto.
Temos então o clínico, sujeito a pressões várias mas que, no conjunto, afectam a pessoa nos diferentes níveis que a constituem: Físico, Psíquico, Económico e Social. Exemplifico, recorrendo a um caso recorrente na prática clínica de todos os médicos, alguém que, tendo faltado ao emprego por doença, mas que não se dirigiu a qualquer unidade de prestação de cuidados de saúde ou chamou ao domícilio um médico no dia em que faltou, só pode justificar a falta com um atestado médico... ao apresentar-se perante o clínico a solicitar o dito atestado coloca-o numa situação delicada. A de atestar por sua honra que verificou o estadio mórbido numa data em que o não fez. Qualquer que seja a atitude tomada é sempre uma atitude confrangedora para o médico...
E é nestas condições que o médico tem de levar a cabo seu míster, arriscando o erro. Aqui há alguma similitude entre médicos e guarda-redes, se errar a consequência poderá ser grave, ele está no fim da linha... e as circunstâncias em que labora ajudam, por vezes, a que a probabilidade de errar seja acima do que seria desejável.
Voltando a Bocage... se hoje as condições de exercício da Medicina não são as ideais, no Século XIX então... e os juizos de valor sobre o acto médico menos fundamentados que na actualidade.
Vénia aos"bons" e "maus" médicos de antanho que possibilitaram com seus erros e acertos a evolução da Medicina, o aumento da esperança média de vida e a qualidade de vida dos seus concidadãos (extensiva aos demais agentes de prestação de cuidados de saúde).
Sem querer desmerecer o génio de Elmano Sadino e recordando o refrão de um velho anúncio televisivo " se fosse hoje tudo mudava na cidade ou no campo..." ele não teria falecido como faleceu, a Medicina teria uma alternativa para ele e a Farmácia também...



